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sexta-feira, 19 de abril de 2013

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Presumo que para você, leitor, deve ser comum parar tudo que faz para atender um telefonema. Um telefonema? Não digo um comum. Este tipo de telefonema é mais elaborado - complexo. Ocorre em raras ocasiões.

Geralmente, diz coisas importantes, por isso não é bom ignorá-lo. Quem está do outro lado da linha também é importante, mas acima de tudo, sua resposta é vital.

Presumo que não entenda o que digo. Vou simplificar melhor. 

Desde que o telefone existe, a comunicação evoluiu de tal forma que notícias e mensagens que ocorreriam em meses levam apenas segundos para serem trocadas. Seu tio comprou uma casa nova? O cachorro do seu primo morreu? Tudo isso em questão de segundos. Não é mais novidade.

Entretanto, "A Ligação" começou a acontecer nos anos 90, quando os telefones fixos conheciam um de seus primeiros fins: os celulares. As ligações ocorriam durante as tardes vazias dos donos do telefone. Quando atendiam, não ouviam nada - ou se ouviam, era apenas uma respiração ou o chiado de fundo das linhas. Ligações desse tipo eram consideradas enganos pela maioria... Contudo, ninguém pensa na voz ansiosa e no ouvido aguçado do outro lado da linha... Oh... Não.

Nesse tipo de telefonema, a pessoa certa tem de atender na hora certa e falar a coisa certa. 

Com o passar do tempo, houve a popularização dos celulares. As pessoas passaram a abandonar o telefone fixo para terem um celular - em prol dos negócios e da carreira pessoal. Mesmo assim, ainda haviam pessoas com o tão "aclamado" fixo. Com a diminuição de telefones fixos, houve um aumento de "Ligações" - as tais ligações especiais que tanto cito.

Dessa vez, passaram a ocorrer por volta do começo ao fim das tardes - raramente às noites. Quem telefona, ansiosamente espera que a isca certa atenda o telefone. Entretanto, isso exigia mais e mais ligações.

Apesar de tudo, o método não exigia tanta preparação dos aparelhos necessários: após ligar o canal de comunicação, era apenas recitar os mantras proibidos enquanto a isca atende seu telefone, sem se dar conta da captura da alma. O importante é ouvir sua voz, canalizá-la e identificá-la. Dessa maneira, a "safra" é garantida. Diria que esta é a parte mais complicada, uma vez que o timbre da voz de cada pessoa é diferente, diferenciando um do outro, garantirá a captura da alma correta.

Devo admitir que ser um "pescador de almas" é realmente complicado, quiçá, um ofício de paciência: não admira que os métodos de capturar almas tenha evoluído a ponto de captarmos a voz de nossa isca por meio da ressonância dos fios do telefone. É um método curioso criado pelas criaturas do outro mundo em busca de alimento e energia vital - tão rara e necessária nos planos inferiores. 

Você não ouve nada porque é incapaz de ouvir. Somos capazes de falar em seu ser. Falamos coisas importantes, por isso, não desligue o telefone quando o telefonarmos.

Saberá que sou eu quando ouvir o nada. Apenas uma respiração, um chiado... O próprio silêncio. O número estranho que aparece para ti, o número que o assombrará.

E por favor, não fique quieto, sua voz é suave - e delicia-me ouvi-la. 


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Abatedouro da Alma



"O que nos difere dos animas? Dos outros seres?". Alguns filósofos ocuparam-se de sua questão, algumas vezes, dedicando ensaios apenas a essa simples - porém, complexa - pergunta.

E convenhamos, nunca houveram tantas respostas que confundiram nossas cabeças: alguns apontam que o ser humano é o único animal capaz de racionalizar. Outros dizem que somos tal como os outros animais. Alguns falam que nós somos os únicos seres vivos capazes de manipular a natureza a nosso favor, enquanto outros apontam que o caos é o melhor e o único destino para a humanidade.

Entretanto, nenhuma dessas respostas são plausíveis. O que os difere é alo que chama-se "Esperança".

Um boi no abatedouro não sente esperança, pois não consegue entender o que está acontecendo lá - e  mesmo que soubesse o que estaria acontecendo, sua reação seria domada pelo instinto de auto-preservação, algo que não é a "esperança" propriamente dita.

Agora, um ser humano em um abatedouro é outra história.

Como pode-se perceber, apenas seres racionais puderam desenvolver e representar tal sentimento tão complexo para nossos amigos animais. Entretanto, podemos dizer que a esperança não se passa de algo que evoluiu a partir dos "instintos" de auto-preservação e que se funde com outras coisas: otimismo e determinação. A certeza de que algo irá acontecer, mesmo que as probabilidades sejam inferiores a 1%.

Tão estúpido.

Ver a esperança como algo bom é a grande ruína do humano. Você não entende como me sinto ao ouvir as pessoas falando sobre isso. Sobre nossa maldição.

Sim, nós somos amaldiçoados. Para ser mais exato, fomos criados e programados para sentir a esperança. Somos nada mais que alimento para outros seres... Seres de outro plano que  esperam ansiosamente pelo seu alimento. Desse ponto de vista, não somos tão diferentes de bois num abatedouro, não é?

Você já pode ter notado em seu grupo de amigos ou então ao decorrer da vida que existem vários tipos de pessoas e que cada uma pensa respectivamente de uma maneira diferente, correto? Errado. De um ponto de vista geral e simples, existem três tipos de maneiras de ver a vida, cada uma delas torna mais fácil diagnosticar quanta esperança nós temos - e dessa formas, os seres extra-planares saberão quem está pronto para... Como nós dizemos? Partir.

As pessoas que pensam no presente são as mais comuns. Geralmente, seu nível de esperança é estável e raramente interessam Eles. Podem ser comparados com vegetais que não madureceram ainda. Mais tarde ou mais cedo, acabam partindo sem que Eles tomassem algum esforço para tal, por isso, geralmente tomam uma visão do mundo previsível: vivendo uma vida boêmia, vazia ou lenta. Como não têm expectativas para o futuro - e a esperança está profundamente ligada a isso - suas alma são apenas aperitivos. Alguns que caíram nas drogas e em outros vícios ostentam de uma alma apodrecida que Eles não tem interesse, deixando-os para serem devorados por seres extra-planares de nível inferior.

A segunda visão de mundo é a que trata do passado. Os indivíduos que desistiram de um futuro melhor e que vivem tentando afogar-se em seus antigos amores, dias de glória e felicidades. No  geral, não aceitam o presente e suas esperanças em tentar recriar o passado são tão grandes que fecham-se em um mundo só deles, pouco a pouco perdendo a sanidade e perdendo a vontade de viver. Usando a metáfora do abatedouro, seriam os bois que perceberam o que acontecia, tentaram pular as cercas e, frustrados por não conseguirem, correram para o abatedouro para diminuir sua agonia. Suas almas são corroídas por dentro e partem sem demora. Entretanto, Eles não gostam delas: são fracos.

A terceira e última se trata do futuro. Eis aqui um dos poucos indivíduos que Eles consomem, que apenas os  Elevados desejam. Entretanto, nem todos que olham para o futuro possuem as almas que Eles desejam: os ambiciosos, que usaram os outros como degrau para atingir o objetivo tão almejado possuem a alma apodrecida por dentro e os que sempre olharam para o futuro com medo, possuem almas pequenas e covardes.

Por fim, só restaram as pessoas otimistas e virtuosas. As que possibilitam que a "safra" saia como Eles queiram.

Isso mesmo, os reais demônios são os que enchem os outros de esperança. Mas não os culpe - os otimistas fazem isso involuntariamente. É como uma bala dentro de um revólver. Ela é o que mata, mas não é considerada o agressor. Afinal, a intenção da bala é apenas ser ejetada. O que conta mesmo é a intenção de quem puxou o gatilho.

Como se cria um otimista? Primeiro, dê tudo o que ele deseja logo que nasce. Pode fazer isso dando fortunas e felicidade durante a infância ou a adolescência. É um processo muito longo que compensa no final. Depois, tire tudo isso dele. Tire o que ele considera mais importante em sua vida.

Ele estava apaixonado? Dê um fim trágico ao seu amante. Ele finalmente conseguiu dinheiro para a faculdade? Faça uma doença surgir em alguém de sua família para que ele use o dinheiro. Ele é feliz? Ponha em sua consciência motivos para se sentir triste.

Tudo isso para que, quando o evento-chave ocorrer, o indivíduo seja povoado pela esperança - e assim, passe a desejar um futuro melhor.

Ele transmitirá sua mensagem com empolgação aos outros indivíduos, os outros dirão "se ele conseguiu, eu consigo!" e estarão fadados a serem alimentados com a esperança. E a esperança é a importante ferramenta que desenvolve as virtudes, a benevolência e a pureza que Eles tanto gostam. A doçura da alma dos esperançosos supera todos os prazeres que uma vida terrena já pôde experimentar.

Conhece alguém assim? Algum otimista que, com empolgação e paixão fala de seu futuro? Fala sobre a luta por um objetivo? Para um sentido em sua vida?

Quando ver esse sujeito, evite que os planos deles se cumpram. Estraçalhe com suas palavras os sonhos dele. Negue suas expectativas. Use da razão e das probabilidades para impedir que sua palavra se prolifere - e assim, você poder salvar os outros.

Vão te chamar de "gelo-seco", de "coração-de-pedra" ou até mesmo de "insensível" ao fazer isso com os outros (especialmente com as crianças). Mas, no outro lado, eles irão te agradecer. Quando descobrirem a terrível verdade. Que não existe esperança. Não existe sanidade. Não existem humanos e animais, apenas animais de almas suculentas e animais de almas podres. Não existe fuga. Não existe luta. Não existe resistência.

Só existe o abatedouro, no final do corredor... E uma verdade.

A de que a esperança é a última que morre.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

The Rake

The Rake é um monstro que seria mais um integrante da tríade dos monstros famosos de Creepypastas, como o Slender Man e Mothman. Aqui coloquei algumas histórias envolvendo o curioso ser e no final as teorias elaboradas para ele.

Boa leitura. Eu dormiria de luz acesa hoje.




Durante o verão de 2003, eventos no nordeste dos Estados Unidos envolvendo uma criatura estranha, humanóide e de pele pálida, provocou breve interesse da mídia local antes da aparente "morte" do assunto. Pouca ou nenhuma informação foi deixada intacta, como histórias escritas da criatura que foram misteriosamente destruídos.

Focado principalmente na zona rural, testemunhas contaram histórias de suas encontros com uma criatura de origem desconhecida. Emoções variaram de níveis extremamente traumáticos de medo e desconforto, a uma sensação quase infantil de diversão e curiosidade. Enquanto suas versões publicadas não estão mais no registro, as memórias permaneceram poderosas. Várias das partes envolvidas começaram a procurar respostas.

No início de 2006, as testemunhas reuniram os relatos e acabaram acumulando quase duas dúzias de documentos datados entre o século 12 e dias atuais, abrangendo quatro continentes. Em quase todos os casos, as histórias eram idênticas. Estive em contato com um membro deste grupo e foi capaz de obter alguns casos de seus arquivos.

Uma nota de suicídio: 1964

A Nota foi achada em uma caixa de madeira de uma fazenda das áreas rurais de Nova York.

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"Enquanto me preparo para tirar a minha vida, sinto que é necessário para amenizar qualquer culpa ou a dor que tenho introduzido por isso. Não é culpa de ninguém além dele. Pela primeira vez eu acordei e senti sua presença. E mais uma vez acordei e vi a sua forma. Mais uma vez acordei e ouvi a voz dele, e olhei em seus olhos... Eu não consigo dormir sem medo de que eu poderia encontrar ao acordar. Eu não posso jamais acordar. A morte será meu sono eterno. Adeus. "

Encontrado na mesma caixa de madeira, haviam dois envelopes vazios dirigidos a William e Rose, e uma carta pessoal solta sem envelope:

"Cara Linnie,

Tenho orado por você. Ele falou seu nome. "


A entrada de diário (traduzido do espanhol): 1880

"Eu experimentei o maior terror. Tenho experimentado o maior terror. Tenho experimentado o maior terror. Tenho experimentado o maior terror. Vejo os seus olhos quando eu fecho meus. Eles são ocos. Negros... Eles me observam quando acordo. Suas mãos molhadas... Não vou mais dormir. Sua voz (texto ininteligível) ".


Diário do fuzileiro: 1691

"Ele veio em meu sono. Desde o pé da minha cama senti uma sensação. Ele levou tudo. Nós devemos retornar para a Inglaterra. Nós não voltaremos aqui novamente a pedido do Rake."


De uma testemunha: 2006

"Três anos atrás, eu tinha acabado de voltar de uma viagem de Niagara Falls com a minha família para o 4 de julho. Estávamos todos muito exaustos depois de um longo dia de viagem, o meu marido e eu colocamos as crianças direto para a cama e fomos dormimos.

Por volta das 04:00, acordei pensando que meu marido tinha se levantado para usar o banheiro. Eu aproveitei e regulei o despertador. Vi que ele ainda estava na cama, me desculpei e disse que pensava que estava no banheiro. Quando ele se virou para mim, ele engasgou e se levantou a da cama tão rapidamente que quase me jogou para fora da cama. Ele então agarrou-me e não disse nada.

Depois de acender o abajur, por meio segundo, eu era capaz de ver o que causou a reação estranha. Ao pé da cama, sentado e de costas para nós, não havia o que parecia ser um homem nu, ou um grande cão despelado de algum tipo. A posição do corpo era perturbador e pouco natural, como se tivesse sido atropelado por um carro ou algo assim. Por alguma razão, eu não estava imediatamente assustada com isso, mas mais preocupada quanto à sua condição. Neste ponto, eu estava um pouco sob o pressuposto de que nós deveríamos ajudá-lo.

Meu marido estava se encostando na parede, apenas olhando... Dobrado em posição fetal, ocasionalmente olhando para mim antes de voltar para a criatura.

Em um turbilhão de movimento, a criatura se movimentou em torno do lado da cama, e depois arrastou rapidamente em uma espécie de movimento ao longo da cama, até que foi menos de alguns centímetros do rosto do meu marido. A criatura estava completamente em silêncio por cerca de 30 segundos (ou provavelmente mais perto de 5, ele só parecia um tempo) só de olhar para o meu marido. A criatura então colocou sua mão em no joelho dele e correu para o corredor, indo em direção do quarto das crianças. Gritei e corri para o interruptor de luz, o que planejei para detê-lo antes de ele machucar meus filhos. Quando cheguei ao corredor, a luz do quarto foi o suficiente para deixá-lo agachado e debruçado. Ele se virou e olhou diretamente para mim, coberto de sangue. Então eu vi, perto dele a minha filha, Clara.

A criatura desceu as escadas, enquanto meu marido e eu corríamos para ajudar a nossa filha. Ela era muito gravemente ferida e falou apenas mais uma vez em sua curta vida... Ela disse "ele é o Rake".

Meu marido correu para levá-la de carro para o hospital. Ela não sobreviveu.

Sendo uma cidade pequena, a notícia se espalhou rapidamente. A polícia foi útil no início, e no jornal local teve muito interesse também. No entanto, a história nunca foi publicada e as notícias de televisão local nunca acompanhou também.

Durante vários meses, meu filho Justin e eu ficamos em um hotel perto da casa dos meus pais. Depois que decidi voltar para casa, comecei à procura de respostas a mim mesma. Eu finalmente localizei um homem na cidade vizinha que tinha uma história semelhante. Entramos em contato e começaram a falar sobre nossas experiências. Ele sabia de outras duas pessoas em Nova York que tinham visto a criatura, agora referido como "The Rake".

Nós 4 ficamos cerca de dois anos de caça na internet e escrevendo cartas para chegar a uma pequena coleção do que acreditamos ser contos do Rake. Ligamos para essas pessoas e nenhuma delas deu qualquer detalhe da história, ou acompanhamento. Uma revista tinha uma história que envolvia a criatura em suas primeiras três páginas, e se recusaram a falar dele. Conseguimos falar com um fuzileiro que estava se mudando, dizendo apenas que ele e sua mulher foram orientados a sair do país pelo Rake. Essa foi a última entrada nos arquivos.

Houve, no entanto, muitos casos em que a visita da criatura era uma de uma série de outras visitas que já ocorreram. Várias pessoas também mencionaram sendo algo parecido. Isso nos levou a perguntar se "The Rake" tinha visitado qualquer um de nós antes do nosso último encontro.

Cooquei um gravador digital perto da minha cama e deixei correr toda a noite... Todos os dias durante duas semanas. Eu tediosamente ouvia os sons de eu rolando na minha cama a cada dia quando acordava. Até o final da segunda semana, eu estava bastante acostumada com o som ocasional de ouvir eu dormindo...

No primeiro dia da terceira semana, eu pensei ter ouvido algo diferente. O que eu encontrei foi uma voz estridente. Foi o "The Rake"... Eu não posso ouvi-lo tempo suficiente para sequer começar a transcrever o ruído. Eu não deixei ninguém ouvi-lo ainda. Tudo o que sei é que eu já ouvi isso antes, e agora acredito que ele falou quando estava sentada na frente do meu marido. Eu não lembro de ter ouvido nada na época, mas por alguma razão, a voz no gravador imediatamente me traz de volta a esse momento.

Os pensamentos do passado passam pela minha cabeça... E eu penso na minha filha novamente. Isso me faz muito chateada.

Eu não vi "The Rake" desde que ele arruinou a minha vida, mas sei que ele foi no meu quarto enquanto eu dormia. Eu sei e temo que uma noite eu vou acordar para vê-lo olhando para mim. "

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Conclusão: O que "The Rake" é...

*Algo que observa as pessoas enquanto estão dormindo. Ele fica vigiando elas de noite e mantém esse hábito por tanto tempo que as vítimas só descobrem após anos sendo observadas.

*Grande parte das pessoas quando descobre tem medo de dormir e acordar com ele observando e geralmente acabam ficando paranoicas, fazendo tudo que o "The Rake" manda para ele ir embora.

*Alguns associam Rake como Anjo da Guarda por ficar observando as pessoas.

*Talvez aquela sombra no canto do seu quarto não seja apenas uma sombra... Antes de você acender a luz, deveria pensar duas vezes: algumas vezes a verdade leva a loucura e paranoia.


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A seguir um pouco da anatomia dele segundo os relatos de pessoas que o avistaram.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Smile.dog

Esse post é sobre o Creepypasta do Smile.dog ou então Smile.jpg, uma suposta imagem que quando alguma pessoa visse teria sonhos (ou seriam pesadelos?) com a imagem que ficaria dizendo para você passar adiante ela. Eu estou apenas passando adiante, ver ela fica por sua própria conta e risco.

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Eu me encontrei pessoalmente com Mary E. no verão de 2007. Tinha combinado com Terence, seu marido há quinze anos, de vê-la para uma entrevista. Mary inicialmente havia aceitado, já que eu não era um jornalista, mas sim um escritor amador coletando informações para alguns trabalhos de faculdade e, de acordo com o plano, algumas peças da ficção. Marcamos a entrevista para um final de semana quando eu estava em Chicago. Mas no último momento Mary mudou de ideia e se trancou no quarto do casal, recusando-se a me encontrar.

Durante meia hora, fiquei acompanhada com o Terence do lado de fora, escutando e tomando notas enquanto ele tentava, inutilmente, acalmar sua mulher. As coisas que Mary dizia faziam pouco sentido, mas se encaixavam no que eu estava esperando: embora eu não pudesse vê-la, eu podia dizer a partir de sua voz que ela estava chorando, e muitas de suas objeções para conversar comigo estavam centradas em uma diatribe incoerente em seus sonhos - ou pesadelos.
Terence se desculpou quando encerrou a conversa, e eu fiz o meu melhor para forçar a barra; lembrei-o que não era um repórter em busca de uma história, mas apenas um jovem curioso em busca de informações. Além disso, pensei naquela hora, eu poderia encontrar outro caso semelhante se colocasse minha mente e recursos para isso.

Mary E. era a administradora de sistema de um pequeno BBS em Chicago em 1992 quando encontrou pela primeira vez o Smile.jpg, que mudou sua vida para sempre. Ela e Terence estavam casados há apenas cinco meses. Mary foi uma das 400 pessoas que dizem ter visto a imagem quando foi postada em hiperlink no BSS, embora seja a única que falou abertamente sobre a experiência. O restante das pessoas permaneceram no anonimato, ou talvez mortas. Em 2005, quando eu estava no segundo ano, Smile.jpg me chamou a atenção pelo meu interesse crescente em fenômenos da web; Mary foi a vítima mais citada do que é referido como "Smile.dog", como ficou a reputação do Smile.jpg. O que despertou meu interesse (além dos óbvios elementos macabros da cyber-lenda e minha tendência para essas coisas) era a pura falta de informação, já que normalmente as pessoas não acreditam que isso exista e que não passam de um boato. É única porque, apesar dos fenômenos inteiros centrarem em um arquivo de imagem, esse arquivo não pode ser encontrado na internet; certamente é uma daquelas fotos manipuladas, que aparecem com maior frequência em sites como o imagem-board 4chan, especialmente o board /x/, focado em atividades paranormais. Suspeita-se que sejam falsos, porque eles não têm o efeito que o Smile.jpg verdadeiro teria, ou seja, epilepsia do lobo temporal e ansiedade aguda. Essas reações no espectador é um dos motivos para a fantasmagoria do Smile.jpg ser vista como desdém, uma vez que isso seja absurdo, embora a depender de quem você perguntar, a relutância em reconhecer a existência do Smile.jpg possa envolver medo, não descrença.

Nem Smile.jpg, nem Smile.dog é mencionado em qualquer lugar na Wikipédia, embora o site apresente artigos sobre outros, talvez shocksites mais escandalosos como gotse (hello.jpg) ou 2girls1cup; ou qualquer tentativa de criar uma página referente ao Smile.jpg seja sumariamente excluída por um dos muitos administradores da enciclopédia.

Encontros com Smile.jpg são uma lenda da internet. A história de Mary E não é única; existem rumores não confirmados do Smile.jpg aparecendo nos primeiros dias em grupos de discussões e até mesmo num conto persistente que, em 2002, um hacker inundou um fórum de humor e sátira Something Awful com imagens do Smile.dog, fazendo com que todos os usuários do fórum entrassem em epilepsia. Diz-se também que, em meados dos anos 90, Smile.jpg circulou em um grupo de discussões como um anexo de e-mail corrente com o assunto "SORRIA!! DEUS AMA VOCÊ!".

Mas, apesar da enorme exposição que golpes publicitários geraram, poucas pessoas confessaram ter qualquer experiência e nenhum vestígio de arquivos ou links foi descoberto. Aqueles que afirmaram terem visto Smile.jpg inúmeras vezes davam a desculpa de estarem ocupados demais para salvar uma cópia da imagem em deu disco rígido. No entanto, todas as supostas vítimas ofereceram a mesma descrição da foto: uma criatura canina (geralmente descrita como um Husky Siberiano), iluminado pelo flash da câmera, fica em uma sala escura. O único detalhe visível no fundo é uma mão humana se estendendo na escuridão perto do lado esquerdo. A mão está vazia, mas geralmente é descrita como "acenando". Naturalmente, a maior atenção é dada ao cachorro (ou criatura canina, como algumas vítimas estão mais certas de terem visto). O focinho da besta é supostamente dividido em um largo sorriso, revelando duas fileiras de dentes brancos, fortes e de aparência humana. Esta não é, naturalmente, uma descrição dada imediatamente após ver a imagem, mas uma recordação das vítimas, que alegam ter visto a imagem infinitamente em sua mente. Na realidade, depois de terem ataques epilépticos.

Esses relatos continuaram, muitas vezes enquanto as vítimas dormiam, resultavam em pesadelos nítidos e perturbadores. Estes podem ser tratados com medicamentos, embora em alguns casos é mais eficaz que outros. Mary E, eu supus, não estava usando medicamentos. Foi por isso que, depois da minha visita em seu apartamento em 2007, eu enviei notícia a websites, listas de discussões e newgroups voltados a folclores e lendas urbanas na esperança de encontrar o nome de uma suposta vítima de Smile.jpg que sentisse mais interessada em conversar sobre suas experiências. Por um tempo, nada aconteceu e eu finalmente esqueci sobre minhas buscas, desde que eu tinha começado o meu primeiro ano na faculdade e estava muito ocupado. No entanto, Mary entrou em contato comigo por e-mail, no começo de Março de 2008.
Para: jml@****.com
De: marye@****.net
Ass: Entrevista do último verão

Querido Senhor L.,

Estou incrivelmente desapontada sobre o meu comportamento no verão passado, quando você veio me entrevistar. Espero que você entenda que não era culpa sua, mas sim dos meus próprios problemas que me levaram a agir daquela forma. Eu percebi que poderia ter lidado melhor com a situação, no entanto, espero que me perdoe. Na época, eu estava com medo. Você vê, por 15 anos eu sou assombrada pelo Smile.jpg. O Smile.dog vem a mim todas as noites, em meus sonhos.

Sei que parece bobagem, mas é verdade. Há uma qualidade inefável sobre meus sonhos, meus pesadelos, que os torna completamente diferente de qualquer sonho real que eu já tive. Eu não posso me mover e não posso falar. Eu só posso olhar para frente, e a única coisa em minha frente é a cena daquela imagem horrível. Eu vejo a mão acenando, e vejo Smile.dog. Ele fala para mim. Eu pensei por muito tempo sobre minhas opções. Eu poderia mostrá-lo a um estranho, um colega de trabalho... Eu poderia mostrá-lo para o Terence, mas a ideia me repugnava. E o que aconteceria? Bem, se Smile.dog mantivesse sua palavra, eu conseguiria dormir. No entanto, se ele mentisse, o que eu faria? E quem iria me garantir que não aconteceria algo pior, se eu fizesse como a criatura pediu? Então, eu não fiz nada por 15 anos, embora mantivesse o disquete escondido entre minhas coisas. Todas as noites, durante 15 anos, Smile.dog veio para mim em meus sonhos e pediu para eu espalhar a palavra. Por 15 anos, eu estava forte, embora tenha tido momentos difíceis. Muitos dos meus colegas vítimas do board BBS - onde encontrei Smile.jpg pela primeira vez - pararam de postar; ouvi que alguns deles cometeram suicídio. Outros permaneceram em completo silêncio, simplesmente desapareceram da web.

Eles são os que mais se preocupam. Eu sinceramente espero que você me perdoe, Senhor L., mas no último verão, quando você entrou em contato comigo e meu marido sobre uma entrevista, eu estava próxima a um ponto de ruptura. Eu não me importava se Smile.dog estava mentindo ou não, eu queria que acabasse. Você era um estranho, alguém que não tinha conexão nenhuma comigo, e eu pensei que não sentiria dor se lhe passasse o disquete como parte de sua pesquisa e selando seu destino. Antes de você chegar, eu percebi o que iria fazer: eu iria arruinar a sua vida. Eu não podia suportar a ideia, e, na verdade, ainda não consigo. Tenho vergonha, Senhor L., e espero que esse aviso faça com que você não pare sua investigação sobre o Smile.jpg. Com o tempo, você pode encontrar alguém mais forte que eu, que seja mais depravado, alguém que não hesite em seguir as ordens do Smile.dog. Pare enquanto ainda estiver inteiro.

Atenciosamente, Mary E.

Terence entrou em contato comigo no mesmo mês, contando que sua esposa havia se suicidado. Enquanto limpava as coisas que ela tinha deixado para trás, fechando as contas de e-mail e similares, ele notou que havia recebido uma mensagem. Ele ficou em ruínas; ignorando os conselhos da sua esposa. Ele tinha encontrado o disquete, o revelou e queimou-o, até que não sobrasse nada além de um plástico negro. No entanto, a parte que o mais perturbou foi como o disquete assobiava enquanto derretia. Como uma espécie de animal, ele disse.

Admito que fiquei um pouco incerto sobre como responder a isso. No início eu pensei que talvez fosse uma brincadeira, o casal estava brincando com a situação, afim de me manter fora disso. Mas uma rápida verificação nos jornais de Chicago provou que Mary E. realmente estava morta. Não houve, é claro, menção de suicídio no artigo. Eu decidi que, pelo menos durante um tempo, eu não iria prosseguir com esse assunto do Smile.jpg, especialmente desde que eu tinha chegado no final de Maio. Mas o mundo tem maneiras estranhas de nos testar. Quase um ano após a desastrosa entrevista com Mary E., recebi outro e-mail:
De: elzahir82@****.com
Para: jml@****.com
Ass: Smile
Olá
Eu encontrei seu endereço de e-mail através do seu perfil numa mainling list, dizendo estar interessado no Smiledog. Eu vi que ele não é tão ruim como todos dizem, por isso enviei para você. Basta espalhar a palavra.

:)

A última linha me gelou os ossos. De acordo com o meu cliente de e-mail, eu havia recebido um arquivo anexado chamado, naturalmente, Smile.jpg. Por um tempo, eu hesitei em baixá-lo. Era mais uma imagem falsa, eu imaginei, e não estava inteiramente convencido dos poderes peculiares do Smile.jpg. A história de Mary E. havia me abalado, sim, mas ela provavelmente estava mentalmente desequilibrada. Afinal, como uma imagem poderia lhe dizer o que fazer? Que tipo de criatura era essa, que poderia quebrar a mente com apenas o poder dos olhos? E se essas coisas eram absurdas, porque a lenda existe, afinal? Se eu baixei a imagem, se eu olhei para ele, e se Mary se mostrou correta, se Smile.dog veio para mim em meus sonhos exigindo que eu espalhe a palavra, o que eu faria? Eu poderia viver minha vida como Mary, lutando contra esse desejo até que eu morra? Ou eu simplesmente espalharia a palavra, ansioso para ser colocado para descansar? E se eu escolhesse a última opção, como eu poderia fazer isso? Quem seria minha vítima? Se eu passar minha intenção antes de escrever meu artigo sobre Smile.jpg, eu poderia anexá-lo como prova, e quem ler o artigo, quem se interessar, não seria afetado. E, mesmo admitindo que o Smile.jpg que está anexado ao e-mail é o verdadeiro, eu seria caprichoso o suficiente para salvar-me desta maneira?

A foto, logo abaixo.


Obs.: Dores de cabeça, o pensamento excessivo da imagem e desconforto são sinais de que alguma coisa poderá acontecer com você em breve... Muito em breve.